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Artista Homenageado



Paulo Miklos, Marcelo Fromer, Arnaldo Antunes, Sérgio Britto, Charles Gavin, Toni Belloto, Branco Mello e Nando Reis... Se você é uma pessoa que “não quer só comida”, mas que “quer comida, diversão e arte”, esses caras, com certeza, lhe dizem muita coisa!!

Os “ilustres conhecidos” da nossa música estão se reunindo em prol da turnê comemorativa dos 30 anos dos Titãs.

Mas para chegar a isso, temos que relembrar um pouquinho da trajetória dessa turma...

Era outubro de 1982 e o cenário musical começava a ser mudado... No Sesc Pompeia (SP), acontecia a estreia oficial dos “Titãs do Iê-Iê”, um grupo de jovens que chamava a atenção por suas canções criativas (misturando influências da MPB com o rock, passando pelo samba, reggae e new wave), e pelo visual extravagante (roupas com cores fortes, maquiagens e penteados originais). Nessa época, havia ainda outro componente: André Jung.

Por dois anos, percorreram o circuito underground paulista, e não demorou muito para sair o primeiro disco, só que sem o “Iê-Iê” no nome. Assim, foi lançado, em 1984, "Titãs", que emplacou de cara a faixa "Sonífera Ilha". Um verdadeiro fenômeno radiofônico, a música foi uma das mais executadas naquele ano, invadindo outros estados do Brasil, e levando os meninos a se apresentarem também nos principais programas de TV.



No ano seguinte, Charles Gavin assumiu as baquetas no lugar de André Jung e, com a nova formação, gravaram seu segundo LP, "Televisão", estourando a faixa título e "Insensível". Neste período, Tony Bellotto e Arnaldo Antunes foram presos e condenados por porte e tráfico de heroína, respectivamente. Mas sem antecedentes criminais e com trabalho declarado, os dois cumpriram a pena em liberdade. Passado o susto, o melhor estava por vir... E realmente veio!! A banda deu a volta por cima no disco posterior, "Cabeça Dinossauro", lançado em 86. O LP era um verdadeiro soco no estômago da hipocrisia, com letras contundentes, e traduzindo no vinil a mesma pegada que eles tinham no palco. E o principal: foi considerado pela Revista Bizz, o disco mais representativo da história do rock brasileiro!! Por um tempo, as rádios se recusavam a tocar aquele repertório ousado, mas com o sucesso estrondoso que faziam, as emissoras tiveram que se render. Além de "AA UU", "Homem Primata", "Família" e "Polícia", algumas FMs se davam ao luxo de pagar multa para tocar "Bichos escrotos", que tinha a radiodifusão proibida pela censura.



Na sequência, veio "Jesus não tem dentes no país dos banguelas". Como se não bastasse superar todas as expectativas, o grupo ousou novamente e lançou o álbum em pleno Hollywood Rock. E valeu muito a pena correr o risco. A apresentação dos Titãs foi eleita pela crítica especializada a melhor de todo o festival, superando Simple Minds, UB40, Pretender, Simply Red e outros medalhões estrangeiros.

Com o Brasil aos seus pés, era hora de partir para o mercado exterior. O sucesso levou a banda ao Festival de Montreux, onde nasceu o quinto disco: “Go back – Ao vivo”. Depois disso, os Titãs fecharam os anos 80 com chave de ouro: “Õ blesq blom”, sua mais sofisticada produção e que trazia um hit instantâneo: “Flores”. O clipe da música faturou o recém lançado MTV Music Awards na categoria “Melhor clipe estrangeiro”, prêmio inédito no país.



No início da nova década, tornaram-se figurinhas fáceis nos grandes festivais internacionais: em 1991 no Rock in Rio, fizeram uma apresentação memorável para 120 mil pessoas no Maracanã; e em 92, mais uma vez, arrasaram no Hollywood Rock, onde repetiriam a dose também em 1994. Musicalmente, o bom e velho rock’n’roll, que corria nas veias dessa rapaziada, voltava à tona e a banda assumia um som mais sujo e pesado, com letras polêmicas. A nova fase resultou nos álbuns “Tudo ao mesmo tempo agora” e “Titanomaquia”, sendo este último o primeiro sem Arnaldo Antunes, que seguiu carreira solo pouco antes das gravações.

Em 1995, o grupo lançou “Domingo”, um trabalho bem mais pop do que os dois registros fonográficos anteriores, e que rendeu disco de ouro. Mas foi em 1997, no Teatro João Caetano, no Rio, que os Titãs deram uma nova guinada na carreira. Com uma orquestra no palco e várias participações especiais (Marisa Monte, Jimmy Cliff, Fito Paez, Arnaldo Antunes, Rita Lee e Marina Lima), gravaram ao vivo o CD “Acústico MTV”, com 22 faixas, entre inéditas e releituras de sucessos. Em menos de dois anos, o álbum atingiu a impressionante marca de 1,8 milhão de cópias vendidas, garantindo aos Titãs o primeiro disco de diamante da carreira.



Depois de fazerem mais de 300 shows pelo Brasil acompanhados de orquestra, eles repetiram a receita no álbum seguinte. "Volume 2", lançado em outubro de 1998, trazia mais músicas antigas com arranjos acústicos, além da regravação de “É preciso saber viver”, de Roberto Carlos. Em 1999, ainda no embalo dos sucessos passados, o grupo decidiu apostar num álbum só de cover, mas com nova roupagem. “As dez mais” reunia de Raul Seixas a Ultraje a Rigor, de Mutantes a Mamonas Assassinas.

Em 2001, veio um duro golpe. No dia 11 de junho, às vésperas da gravação de um CD de inéditas, o guitarrista Marcelo Fromer foi atropelado por uma moto em São Paulo e morreu, após dois dias em coma. Mais que um desafio, lançar o disco passou a ser uma homenagem ao amigo, e "A melhor banda de todos os tempos da última semana" conquistou crítica e público, transformando a canção "Epitáfio" num grande sucesso no rádio e na TV. Nos quase dois anos que durou essa turnê, foi a vez de Nando Reis deixar o grupo. Logo depois, chegou às livrarias a biografia "A vida até parece uma festa - Toda a história dos Titãs".



Em fevereiro de 2006, eles abriram o show dos Rolling Stones, na Praia de Copacabana, para um público de mais de um milhão de pessoas. Na sequência, vieram as temporadas nos Estados Unidos e na Espanha. Em 2008, foi lançado, no Festival do Rio, o documentário “A vida até parece uma festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves. Recebido com elogios pela crítica, o projeto narrava a história da banda desde os seus primórdios. Com a carreira passada a limpo, o grupo entrou em estúdio em 2009 para um novo álbum de inéditas. “Sacos plásticos” faturou o Grammy Latino de “Melhor disco de rock brasileiro”. No ano seguinte, chegou a hora de Charles Gavin pedir para sair.

Agora, em 2012, é hora de festejar!! E a celebração dos 30 anos do grupo vem em grande estilo... Com o show especial “Cabeça Dinossauro”, estrearam uma temporada em São Paulo – com ingressos esgotados em menos de duas horas – e caíram na estrada pelo país afora. No palco, são tocadas, faixa a faixa, todo o emblemático álbum, que em maio ganhou um relançamento de luxo: além do disco original remasterizado, um segundo CD traz a demo que originou o “Cabeça”, incluindo a faixa “Vai pra rua”, descartada da versão clássica, e que você pode conferir também aqui, durante a programação da MPB FM. Falando na turnê, a próxima parada é no Rio, dia 9 de junho, no palco do Circo Voador!! Promoção de quem? Nossa, claro!! Entre no portal mpbbrasil.com, e concorra a convites!!



Enquanto isso, dessa longa estrada, destacamos no repertório "Sonífera ilha", "Cabeça dinossauro", “Comida”, "Polícia", "Bichos escrotos", e “Go back”; sem falar em “Homem primata”, “O pulso”, “Marvin” e “Não vou me adaptar”, entre outras, que os Titãs eternizaram. Tudo isso e muito mais você acompanha aqui, nos 90,3, que vai homenagear durante todo o mês de junho, essas feras da nossa música!!